Histórias de usuário também perdem a validade

Eu particularmente adoro metáforas. Elas me ajudam a explicar as coisas de uma maneira mais prática e suave. Diminuem a complexidade da conversa. E, às vezes, até fica engraçado.

Dito isso, uma metáfora que me surgiu recentemente, foi pensar que deveríamos tratar as histórias de usuário como um alimento perecível. Mas porquê? Pelo simples fato de que alimentos perecíveis duram pouco quando não conservados de maneira adequada. Ou melhor, perdem suas principais características quando não são consumidos rapidamente.

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Mas o que isso tem a ver com histórias de usuário?

Explico. Pensando em um típico quadro kanban, é comum encontrar uma coluna que representa todos os itens de trabalho para um determinado time. Geralmente são requisitos em alto nível, com poucos detalhes, mas sob o trabalho constante de pessoas de negócio. Logo em seguida, pode se ter outra coluna com itens de trabalho já analisados, prontos para serem desenvolvidos. Às vezes essa etapa pode vir sob o nome de “ready for development” ou “analysed”,  por exemplo. E é justamente nesta etapa do processo que podemos fazer uma analogia com “tirar o feijão da geladeira”. Você não tira o feijão da geladeira se não for pra comer no mesmo dia. E quando esquece ele lá do lado de fora, já sabe, vai desandar de vez.

Pode parecer engraçado ou estranho, mas é justamente o mesmo tratamento que devíamos dar para os itens de trabalho. Uma vez a história detalhada, com critérios de aceitação bem definidos, pronta para o desenvolvimento, é a mesma coisa que um pote de feijão cozido e temperado, do lado de fora da geladeira. Em um dia de verão. No Rio de Janeiro. Se esse trabalho não vai ser começado nos próximos dias, então pra quê perder tempo refinando seus mínimos detalhes?

É bem possível que um trabalho que já esteja em andamento possa afetar as necessidades do seu produto, através de novas descobertas que o desenvolvimento vai nos trazer. E isso pode significar que aquele próximo item de trabalho, já detalhado e bem compartilhado entre o time, pode deixar de ser válido para o cenário que acaba de se revelar. Ao mesmo passo que, uma vez a história refinada e pronta para o desenvolvimento, comece a trabalhar nela o mais rápido possível. Isso nos ajuda a minimizar o impacto que novas descobertas durante o desenvolvimento possam gerar nos item de trabalho que estão por vir. Além do mais, nos ajuda a manter um backlog sempre atualizado, enxuto e, o mais importante, saudável para o seu produto (e para o consumo imediato).

E não se esqueça, dos 12 princípios da agilidade, o número 10 resume de forma bem clara essa ideia:

Simplicidade – a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado – é essencial.

Abraços e até a próxima!

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